A vida produzida

16:59

Se você é um usuário ativo do Instagram provavelmente já viu que tem milhões de contas onde o feed é padronizado - branco, preto, cinza, rosinha, colorido e por aí vai. Eu mesma amo organizar o meu feed pela cor branca e sempre sendo o mais minimalista possível.
Acontece que de uns tempos para cá algumas pessoas estão perdendo um pouco a noção em relação a esse tipo de coisa e mais uma vez eu me vejo diante de uma situação onde eu preciso falar sobre o assunto.
É muito fácil se encantar pelo o que é esteticamente bonito e é justamente por isso que eu gosto do meu feed arrumadinho deste jeito. Gosto da ideia de que as pessoas vão bater o olho nele e lembrar que eu sou a menina das fotos com poucos elementos e porque é confortável de olhar. Entretanto é muito perigoso ficar preso unicamente a estética de uma forma geral.
Demoramos anos e anos - e continuamos nessa batalha - para que o padrão das capas de revistas não seja imposto em nossa realidade de corpos com estrias e uma vontade incontrolável de comer brigadeiro, porém ao meu ver o Instagram está se tornando a nova capa de revista só que de uma maneira ainda mais chata e constante.
Existem mil e um perfis de blogueiras de tudo que você possa imaginar - fitness, moda, beleza, comportamento, etc - e o nosso trabalho exige que tenhamos cuidados ao postarmos nas redes sociais porque de uma forma ou de outra nós acabamos influenciando outras pessoas. Só que muitas blogueiras muito mais famosas do que eu não têm essa preocupação e a futilidade realmente é mais importante do que ser quem realmente é - acho que elas não sabem quem são, de verdade.
Eu me preocupo sempre se alguma foto minha ou alguma legenda vai influenciar alguma menina a se sentir mal consigo mesma. É a última coisa que eu quero na minha vida e depois de ler esse post da Mari Mallmann - blogueira que eu admiro muito e morro de vontade de conhecer - eu fiquei ainda mais irritada com a padronização excessiva que - principalmente - as blogueiras impõem.
Até hoje eu só fiz um look do dia aqui no blog e nele falei justamente sobre a vergonha que sentimos involuntariamente por não termos dinheiro para comprar roupas e que não devemos nos sentir assim. Manu Gavassi ontem mesmo estava tirando sarro dela em relação a essa coisa do feed bonitinho e choveu comentário de gente chamando a menina de hipócrita - ironia a gente vê por aqui.
Porém como para tudo ruim na vida, sempre existe uma coisa boa e me deparei com um projeto muito legal da Lariz mostrando expectativa x realidade num perfil de apartamento no Instagram e a gente sempre dá boas risadas com a tiração de sarro do John Drops.

Hoje de manhã quando eu estava de toalha tentando tirar foto do look e minha cachorra deitou em cima. Fiquei com frio e resolvi me vestir e deixei a foto pra lá. Acabou que ficou mais legal do que se estivesse só a roupa né?

O que eu quero dizer com tudo isso - mais uma vez - é que é fácil se perder nesse mundo onde tudo parece lindo, esteticamente perfeito, feliz, claro e brilhante. Difícil mesmo é o trabalho por trás disso, os imprevistos, a celulite que apareceu na foto e a gente não queria e é tacar o foda-se nisso tudo.
Não se sinta obrigado a seguir padrões, nem fique culpado por postar aquela foto "nada a ver" com o feed, nem de ter as redes sociais uma zona porque meu perfil pessoal é o oposto do perfil do blog, viu?
Seja você sempre porque a vida produzida só existe na internet - sábias palavras da menina que está linda gravando vídeo e está calçando meias furadas e pantufas de cachorro sem orelhas.


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2 comentários

  1. Moça! Que post lindo! Eu te achei justamente no post da Mari, que vc mencionou aí em cima. E sim, tá faltando vida nessas gurias. Tá faltando personalidade. E o mais importante, ta faltando viver de verdade. Gostei muito do seu texto <3 Ele me animou de uma maneira mto grande! Hehehe bjão!

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    1. Fico feliz que ele tenha te animado tanto, de verdade. E que sigamos nossos caminhos rumo ao sucesso sendo quem somos. ♥

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Sobre

Larissa Honorato
Apaixonada por música, moda, fotografia e comportamentos sociais. Procuro instigar o questionamento e a curiosidade das pessoas para que sempre se descubram e reconstruam.