Especial Dia do Rock

18:08

Eu sempre tive uma relação muito forte com música e isso só aumentou com o tempo. Desde muito pequena eu achava engraçado como as pessoas se dividiam em tribos musicais e como elas agiam de uma determinada maneira de acordo com o que escutavam.
Cresci em meio a bandas como Green Day, Linkin Park, 30 Seconds To Mars, blink-182, The Killers, Coldplay, Nickelback, Charlie Brown Jr. entre muitas - realmente muitas - outras, além de sempre escutar coisas das décadas passadas como Pearl Jam, Alice In Chains, Depeche Mode, The Cure, The Who, Red Hot Chili Peppers, Oasis e bem digamos a lista não tem fim.
Quando eu comecei a faculdade de moda a principal coisa que eu queria estudar era história porque tem tudo a ver com comportamento e música. A forma como as pessoas se vestiam antigamente era basicamente uma manifestação de arte e liberdade; a atitude que se queria passar era expressada com roupas e acessórios e tem coisa mais incrível do que isso?

Eu começaria pelo começo, mas esse post ficaria com 80 páginas e ainda assim faltaria citar figuras importantes. De qualquer forma depois de Elvis Presley guiar uma geração ao mau comportamento e fazer garotas boas serem más - ah qual é, o apelido do cara era Pélvis - os anos 60 vieram carregados de The Beatles e cabelos lambidos por gel, uma mistura meio inusitada de couro e social e a descoberta da camiseta como a gente conhece hoje - porque antes era roupa íntima.
Os anos 70 vieram com uma dose de carregada de drogas e sexo, muito sexo mesmo graças a um serumaninho chamado Jim Morrison que liderava a banda The Doors. Além de começar a ter muitas cores - em parte por culpa do LSD mesmo - que foram disseminadas nos figurinos de palco dos Rolling Stones.

Se você tem alguma peça de couro e tênis no seu guarda-roupas, agradeça a esses caras aí. Aliás viram que Steven Tyler já ditava tendência lá atrás com esse lace-up front maravilhoso da foto?
Enfim, os anos 80 continuaram com muito sexo, drogas e rock 'n' roll e agora com jeans rasgados, calças de couro extremamente apertadas - eu juro que não sei como eles não ficaram com disfunção no dito cujo - estampas extravagantes - os homens não tinham problema nenhum em usar animal print, viu? -, bandanas, cabelos esquisitos e volumosos como pelo de poodle, camisetas com decote em V, umbiguinhos a mostra e spikes.
As bandas tinham uma influência absurda na forma como as pessoas iam se vestir e comportar naquela época, além de não terem tantos tabus em relação a vestimenta como temos hoje - e tem gente que fala que evoluímos... - Guns 'N' Roses, The Cure, A-ha, Aerosmith, Ramones, ACDC, entre tantos outros nomes entoavam a voz de uma geração.
Reivindicações políticas e econômicas, problemas sociais, falar sobre amor da forma mais brega possível - fala aí Bon Jovi, Poison, Whitesnake... - não eram tabus, não eram problemáticos. Não era problemático ser problemático porque quanto mais problemático você era, melhor porque significa que você tava usando seu dom musical para um bem maior...
Vamos olhar para os anos 80 e refletir. Um minuto de silêncio pra essa época maravilhosa.


Ok digamos que quando se trata de moda e festival de música esse é o estilo que mais aparece nos looks do dia ao redor do mundo e o mais engraçado de tudo é que começou tudo como uma anti-moda.
Os grunges tinham se inspirado no visual dos mendigos para se vestirem porque não queriam ser guiados por nenhuma tendência da época, não queriam fazer parte daquela sociedade de merda, consumista e mesquinha. O esquema era roubar praticamente tudo do guarda-roupas dos avós, misturar tudo e ver no que dava e olha no que deu.
As camisas de flanelas, suéteres furados, chapéus de pesca, coturnos furados e sujos, jeans rasgados e encardidos, cabelos ensebados e longos foram a febre da nação nos anos 90 graças aos grunges do Nirvana, Pearl Jam, Mad Season, Soundgarden, Alice in Chains, etc.
É engraçado como o que era pra ser algo nada descolado virou uma identidade visual que é extremamente presente até hoje.

As bandas dos anos 90/2000s ainda carregaram consigo problemas da época e uma identidade absurda que hoje em dia parece inatingível. Green Day, Coldplay, Red Hot, System of a Down, Korn Linkin Park e afins possuem um som único e que imediatamente nos remete a uma situação ou lugar.
Apesar de ser uma grande fã de bandas atuais como Arctic Monkeys, The Kooks, The Pretty Reckless, The Bravery e enfim, a lista é grandinha; eu sinto falta de ter alguma banda que seja impactante, retrate problemas sociais e seja acima de tudo revolucionária. Tanto sonoramente como em atitude.
A sensação que eu tenho é que o rock realmente não morreu, mas ele estagnou. Temos avanços de tecnologia, continuamos com problemas sociais, políticos e econômicos pra caramba, mas não temos uma banda que representa tudo isso. Não temos a atitude rock 'n' roll de bandas como Legião Urbana, Capital Inicial, Rita Lee e Pitty. Não temos a ousadia de Bowie e Ney Matogrosso, nem a genialidade de Prince.
Não peço desculpas se você não concorda comigo, mas peço que reflita e leia várias vezes a história de bandas como as que supracitei.
Aliás aqui vai uma listinha de filmes pra você assistir:
• The Doors - O filme (1991)
• Cobain: Montage of Heck (2015)
• Pearl Jam Twenty (2011)
• Rock of Ages (2012)
• Keith Richards: Under the Influence (Netflix) (2015)
• Can't Stand Losing You: Sobrevivendo ao The Police (Netflix) (2012)
• Somos Tão Jovens (2013)
• The Runaways: Garotas do Rock (2010)

E caso você seja do meu tipo de pessoa, escuta essa playlist aqui:



 E essa aqui também:



É isso pessoal. Espero muito que vocês tenham gostado - passei horas tentando fazer esse post, então levem em consideração isso.
Com muito amor e rock 'n' roll,
Querida Asquini.

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Sobre

Larissa Honorato
Apaixonada por música, moda, fotografia e comportamentos sociais. Procuro instigar o questionamento e a curiosidade das pessoas para que sempre se descubram e reconstruam.