Frustrações

23:18

Ilustração: Artista Desconhecido

Acordo todos os dias às 6h da manhã e sei que para alguns isso é cedo demais e para outros tarde demais. Tomo banho e café com leite, mas coloco leite demais e meu café fica claro - e eu detesto.
Tenho algumas ideias no banho e se eu não repeti-las até sair e anotar, elas desaparecem feito fumaça e eu fico irritada por não ter escrito em algum lugar.
Vejo as redes sociais e todo mundo parece feliz ou discute pesadamente sobre assuntos que não deveriam ser tratados com ódio, mas com respeito e explicação.
Vejo fotos vazias de rostos sorridentes de pessoas que se fingem contentes, mas que atrás da tela estão perdidas, tristes e aborrecidas.
Trabalho por mais de oito horas e discorro sobre como entramos no piloto automático quando nos acostumamos com a nossa função. Converso com colegas e de lá extraio algo que daria um bom texto, vídeo ou só uma reflexão.
Pego ônibus para a faculdade, mas meus professores raramente parecem empolgados para dar aula. Na verdade, esse sentimento é geral: o entusiasmo do primeiro ano morreu e agora todo mundo só se preocupa com o tipo de diploma ou título que garantiremos no final. Escrevo sobre isso no meu caderno, num post-it e no celular.
Tiro foto de uma paisagem, mas a qualidade da câmera do meu celular não me agrada e excluo sem mesmo pensar em publicar.
Minha mente trabalha incansavelmente, mesmo quando meu corpo pede socorro e eu escrevo e corro. Não tenho muito para onde fugir pois todo mundo se queixa de algum problema, de algum esquema ou de não fazer nada. Estamos presos numa jaula.
Que nós mesmos criamos.
Ficamos tristes, aborrecidos, irritados, depressivos porque nos forçamos a aceitar algumas situações que somente nós acreditamos que somos obrigados a aceitar.
Somos considerados vagabundos aos nossos próprios olhos, mesmo quando nós trabalhamos por horas a fio. Mesmo quando dormimos 3h por noite para fazer trabalho ou porque não conseguimos parar de pensar na vida.
Nós criamos nossa própria prisão, nada nunca está bom e ficamos cheios de frustração.


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Sobre

Larissa Honorato
Apaixonada por música, moda, fotografia e comportamentos sociais. Procuro instigar o questionamento e a curiosidade das pessoas para que sempre se descubram e reconstruam.