concessões e toxidades

10:30

A maneira como nós interpretamos algumas histórias ao longo do tempo demonstra o quanto nós mudamos e amadurecemos - e como, na maioria das vezes, ninguém acompanha nossos processos.
Foram incontáveis as vezes que eu me sacrifiquei de corpo e alma para atender às necessidades alheias, principalmente amigos e família. Eu me doava de maneira absurda para entender e absorver as dores e as paixões, abdicava das minhas horas de autocuidado para cuidar das horas de alguém.

Com o tempo, obviamente o equilíbrio foi perdido e eu fiquei tão mal quanto aqueles que exigiam e dependiam do meu cuidado. Esses mesmos quase nunca entenderam a minha necessidade de espaço, tempo e privacidade. Eu concedia, mas não estavam dispostos a conceder nada por mim.

Talvez por isso, eu desenvolvi quase uma fobia com a palavra "egoismo" e me aterrorizava alguém me insultar dizendo que eu era egoísta. Depois de algumas sessões de terapia comecei a pensar que para me preservar, precisaria ser egoísta às vezes - e ouso dizer que é uma linha bem tênue.

Entendi que não é sobre fazer o bem esperando algo em troca, mas também não é só fazer o bem e nunca ter nada em troca. É insustentável ficar doente para outros ficarem saudáveis, triste para outros ficarem felizes. Compreendi que relações são trocas mútuas e que ceder faz parte, mas não só de um lado.

Hoje em dia consigo - com uma certa dose de culpa - me posicionar em situações de abuso psicológico. Percebo a grande diferença que existe em dar colo para alguém e se doar tanto até ficar sem nenhuma energia. 

É um abismo entre cuidar e ser explorado - e para toda exploração acabar exige posicionamento e firmeza. Quando fizer isso, perceberá que quem é tóxico te culpa e sempre se coloca como vítima - e que para todo erro que comete existe uma justificativa e que sua autopreservação é errada. Insista, vai por mim, valerá a pena quando você aprender a respeitar seus limites.

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Sobre

Larissa Honorato
Apaixonada por música, moda, fotografia e comportamentos sociais. Procuro instigar o questionamento e a curiosidade das pessoas para que sempre se descubram e reconstruam.