Desistência

21:05

Faz tempo que eu não coloco meu coração em texto por aqui, isso porque estou passando mais tempo pensando do que realmente fazendo e perco muito tempo procrastinando as tarefas que eu determinei para mim mesma. Uma dessas tarefas é escrever - algo que sempre me fez muito bem - e algo que perturba o sono é essa maldita palavra: desistir.
Recentemente eu parei com a faculdade e finalmente tomei uma decisão somente minha, mas confesso que sou pressionada todos os dias externa e internamente sobre o que eu farei do meu futuro e se eu desisti de estudar, desisti de ter um futuro.
Cresci numa geração em que a palavra desistir é sinônimo de fracasso. Não fomos ensinados a largar de mão, tacar o fod*-se ou simplesmente viver o momento como se estivéssemos no Woodstock.
Foto: Pinterest
Para ser bem sincera, está difícil conhecer alguém dessa famigerada geração Y que não sofra de ansiedade. Somos filhos da tecnologia, do imediatismo, do olhar para o futuro sem sentir o presente. Somos filhos dos nossos pais que aos trinta anos eram casados, com filhos, casa, carro e um emprego.
Somos as crianças que amam pagar de rebeldes enquanto tomamos café e chá de camomila para tentar encontrar o equilíbrio na mente. Palavra essa que parece ser uma conhecida distante, não uma amiga presente. Somos as crianças que temos um olho no peixe e outro no gato, talvez outro no cachorro, um outro no passarinho e mais um olhando para a janela.
Somos da turma que acorda às 3h da manhã pensando o que estamos fazendo da nossa vida. Estamos sempre nos culpando por todas as situações que nem se quer tem um culpado.
A falta de emprego é nossa culpa, o ensino ruim é nossa culpa, o fim do relacionamento alheio, a briga dos nossos pais, o amigo chorando, o mendigo na rua, a fome no mundo. Não importa, tudo é nossa culpa. Na nossa cabeça, pelo menos.
Talvez eu esteja no meio de devaneios, mas desistir não é algo ruim. Muitas vezes é sua opção necessária, provavelmente o que vai te salvar de si mesmo. Não é fracassar.
Deixar um cara ruim ou uma menina chata não é culpa sua, não é um relacionamento fracassado. Tempo perdido. Assim como abandonar um curso, largar um emprego, fugir da dieta, dormir dez minutos, faltar no trabalho...
E tudo isso não é fácil de pensar porque nesse momento estou pensando assim, mas minha cabeça já trabalha para quando eu não estiver qual curso ou faculdade eu vou decidir fazer.
Desistir também é uma vitória.

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Sobre

Larissa Honorato
Apaixonada por música, moda, fotografia e comportamentos sociais. Procuro instigar o questionamento e a curiosidade das pessoas para que sempre se descubram e reconstruam.